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A centenária cultura calçadista está enraizada no DNA das empresas

Por Jorge Alves de Souza, Presidente do Sindiprom-SP e Diretor-Superintendente e cofundador do Grupo COUROMODA

O talento e o compromisso de produzir calçados evoluíram agregando moda, conforto e saúde, proporcionando prazer e bem-estar para as pessoas. Esta atividade, além de gerar trabalho, renda e desenvolvimento, também está enraizada no coração e na mente dos profissionais sapateiros, que carregam, na sua origem, o aprendizado constante e o compromisso de fazer sempre o melhor, mantendo vivo o seu DNA.

A chegada dos imigrantes alemães, no Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, em 1824, marcou o capítulo inicial da história do setor calçadista em nosso país. Hábeis no artesanato do couro, começaram a produzir em escala industrial seus calçados, onde existia produção especial de arreios de montaria para o exército.

Outro importante capítulo da história se desdobra em São Paulo, por volta de 1850, com a chegada de imigrantes italianos à região de Franca, que, atraídos pela expansão do café, fixaram moradia na cidade e logo desenvolveram sua habilidade na produção de calçados.

A partir da década de 1870, com a criação da máquina de costura, surgiram as primeiras fábricas de calçados. Inicialmente em pequena escala, a produção de calçados era constituída quase que exclusivamente por artesões, que utilizavam o couro processado nos curtumes.

Entre as décadas de 1920 e 1960, o setor experimentou uma fase de relativa estagnação, embora o início do processo de exportação tenha ocorrido justamente nessa época. Depois de 1960, o setor voltou a crescer impulsionado pelo comércio com os Estados Unidos. A região do Vale dos Sinos (RS) produzia calçados femininos e Franca (SP) produzia calçados masculinos.

Este DNA foi passado de geração em geração, que por meio dos artesões produtores, como daqueles que eram empregados nessa indústria e absorveram o conhecimento e a paixão em fazer sapatos. Por isso, precisa ser olhado com atenção e, nos momentos de dificuldade, é necessário revisitar a história, pois é ali que encontramos “insights” mais valorosos, perpetuando assim o DNA. Isto acontece através das gerações, seja por herança ou aprendizado.

Hoje, as indústrias brasileiras abastecem todo o mercado nacional e exportam, para mais de 150 países ao redor do mundo, produtos que unem moda, design e qualidade.

Sinto-me muito honrado por ter participado ativamente dessa história, pois a Couromoda, em seus 45 anos, esteve sempre presente sendo parceira desta indústria, abrindo mercados e oportunidades, como elo de promoção comercial. Manteve o seu fodo e proporcionais ou setor calçadista algo de valor inestimável, para que hoje tenhamos forte expressão nos mercados nacional e internacional.